segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia Mundial Sem Carro: uma gota d'água para apagar um incêndio


Hoje é o Dia Mundial Sem Carro, nesse dia as pessoas deveriam deixar seus veículos em casa, abrir mão dos ônibus, calçar seus tênis e caminhar para chegar ao trabalho, resolver suas pendências e voltar para casa.
Este dia foi criado em 1996 pelos franceses em protesto à poluição ambiental e vem sendo incoporado por cidades do mundo todo.
O fato é que, exceto por garantir um pouco de atividade física para as pessoas que deixarem seus carros em casa, não haverá nenhuma mudança no mundo por causa desse dia.
Não pode haver mudança no mundo porque deixamos nossos carros em casa por um dia, enquanto as empresas do mundo todo funcionam vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana para garantir uma grande produção e, dessa forma, um grande lucro para seus patrões.
O maior exemplo disso é o Tratado de Kyoto: apesar dos cientistas apontarem que, para parar de causar impacto (parar, não retroceder) na terra seria necessário reduzir em mais de 50% as emissões de CO2, o Tratado de Kyoto fala em reduzir 5%. E muitos países não querem assiná-lo!
Por isso os cientistas tem acordo quando dizem que não há como voltar atrás, eliminar o estrago que já foi feito. Após o advento da Revolução Industrial, nos últimos cem anos, houve um aumento de 0,7° C. Até 2100 esse número deve aumentar mais 2,5 °C.
Por isso não adianta deixar o carro em casa por um dia para tentar barrar a degradação ambiental enquanto as indústrias continuam lançado no ar mais CO2 do que nunca. Isso seria como tentar apagar um incêndio utilizando uma única gota d'água

sábado, 20 de setembro de 2008

Lula: da linha de montagem ao poder


Ontem foi relançado nos cinemas o documentário "Linha de montagem", de Renato Tapajós. O filme foi gravado entre 1979 e 1981 e lançado em 1982 e retrata as greves do ABC nesse período.
Após pararem totalmente a produção das fábricas do ABC em 1979, o Governo Militar tenta derrubar o movimento e fazer com que os trabalhadores retornem às linhas de montagem.
Em 1980 começa uma nova greve e, mais uma vez o governo segue a linha da repressão policial (algo não muito diferente de hoje), para barrar a greve. Muitos metalúrgicos são presos e processados.
Foi nesse movimento que nasceu a maior figura, a maior representação da classe metalúrgica e de sua força: o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luiz Inácio da Silva, que nesse momento ainda não havia incorporado seu apelido, Lula, ao seu nome.
Em 1980, seguindo a política criada pela corrente Convergência Socialista (atual PSTU), junto a intelectuais e sindicalistas, cria o Partido dos Trabalhadores (PT).
Em 1981, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo sofre intervenção do governo militar, comandado pelo general João Baptista Figueiredo e Lula é detido no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) paulista por vinte dias.
Em 1982 Lula já concorria a um cargo público pela primeira vez. Tentou chegar ao governo de São Paulo, mas perdeu. Em 1984 participou da campanha "Diretas Já" e o PT se absteve de participar das eleições indiretas, através de um Colégio Eleitoral, para a presidência.
Em 1986 Lula foi eleito Deputado Federal por São Paulo com a maior votação já registrada e ajudou na elaboração da Constituição Federal de 1988.
Concorreu à Presidência da República pela primeira vez em 1989, quando perdeu para Fernando Collor de Mello (PRN) perdeu e depois ajudou na campanha pelo impeachment de Collor em 1992.
Concorreu novamente à Presidência em 1994 e 1998, as duas vezes contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e perdeu as duas vezes.
Em 2002, Lula concorreu mais uma vez à Presidência da República contra o então Ministro da Saúde, José Serra (PSDB) e finalmente ganhou.
Houve uma grande euforia nacional, milhões foram às ruas comemorar o fato de que, pela primeira vez, um ex-sindicalista, um trabalhador, havia sido eleito para representar e defender o povo.
Então começou o governo de Lula...a Reforma Agrária, que seria feita em uma canetada, já não seria tão simples, os benefícios para os trabalhadores deveriam passar por análises...Então veio o escândalo do mensalão, dólares na cueca, danças da pizza e, mesmo assim, Lula foi reeleito.
Dessa vez não houve comemorações, não houve euforia, Lula havia trocado de lado...Aquele sindicalista lutador da linha de montagem não existia mais...Lula havia chegado ao poder.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Liberais, mas nem tanto

Nos séculos XVIII e XIX o grande embate existente no campo da economia política era entre o liberalismo de Adam Smith (1723-1790) e a intervenção do Estado na economia de Karl Marx (1818-1883).

Durante muito tempo foi pregado por todos que Smith teria vencido o embate, uma vez que os modelos liberal e neoliberal predominaram durante o século XX e início do século XXI, mas, os burgueses aprendem com seus erros e não querem uma nova crise como a de 1929, quando ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Por isso, quando lemos a notícia de que os bancos centrais das principais economias do mundo injetaram mais de US$ 380 bilhões em seus respectivos mercados financeiros para tentar acalmar os investidores e conter a crise da inadimplência no setor de hipotecas dos Estados Unidos, vemos que nem sempre a diferença entre as posições é clara.

O Banco Central Europeu, o Federal Reserve (EUA), o Banco do Japão, o Bank of England e os bancos centrais de Canadá, Suíça numa ação conjunta injetaram US$ 250 bilhões em seus mercados. Hoje o banco da Rússia injetou mais US$ 130 bilhões.

A intervenção do Federal Reserve foi histórica: primeiro liberou US$ 200 bilhões para tentar salvar as companhias de hipoteca Fannie Mae e a Freddy Mac, depois com mais US$ 85 bilhões encampou a seguradora AIG. E essa semana o banco de investimentos Lehman Brothers não conseguiu cobrir um rombo de mais de US$ 600 bilhões e caiu.

É interessante: quando se diz que é necessário utilizar o Estado para garantir uma vida digna aos necessitados isso é marxismo, comunismo e é execrado. Agora, utilizar bilhões de doláres do mesmo Estado para salvar os especuladores que lucram da miséria dos necessitados, aí é liberado.

Isso demonstra a falência do modelo de Adam Smith e a ascensão das teorias de Marx (mesmo que completamente deturpadas). Afinal, o que vemos hoje é que os comandantes do imperialismo mundial são liberais...mas nem tanto.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Audiência de novelas cai: sinal de novos tempos?

O Ibope divulgou hoje os dados sobre a média de audiência das novelas globais nos últimos anos.

Pela primeira vez a toda poderosa Globo tem o que temer: os dados mostram uma queda acentuada do número de telespectadores.
Se compararmos a audiência, por exemplo da novela das 18h de 2000, "Esplendor" à novela atual no horário, "Ciranda de Pedra", a primeira teve uma média de 27,6 pontos e a segunda está na média de 21,6 pontos.
A novela das 19h de 2000, "Uga Uga", fazia 37,9 pontos. Já a novela "Três Irmãs", que estreou esta semana tem 33 pontos (isso porque é a primeira semana). E a novela das 20h de oito anos atrás, "Laços de Família", chegou aos 44,9 pontos. Hoje a novela "A Favorita" chega apenas aos 37,2 pontos de audiência.
Seria um sinal de novos tempos? Tempos em que as pessoas finalmente entenderam o quanto o "faz de conta" das novelas televisivas é prejudicial à vida das pessoas.
A novela teen "Malhação", por exemplo, a cada troca de elenco acha um novo alvo para lançar seus preconceitos e suas modas; a última foi a de um personagem que descobre que sua companheira está grávida, sofre um acidente, fica paraplégico e diz a garota para procurar outro para cuidar de seu filho, já que ele é cadeirante. Que preconceito retrógrado!
Enquanto vemos no Brasil um dos trinta casos registrados até hoje de mulher com Síndrome de Down ter um filho, um cadeirante não pode cuidar de um bebê? Não pode criar um filho?
E o que dizer das novelas de Manoel Carlos em que todos os personagens vivem no Leblon e tem dinheiro sobrando para fazer tudo aquilo que desejam.
É triste ver que dessa forma, as novelas criam ilusões e destroem as vidas das mulheres oprimidas, dos que se sentem incompetentes por não terem e não poderem garantir uma vida como essa para suas famílias.
Espero que esse seja um sinal de mudança. De um tempo onde possamos aprender a utilizar os meios de comunicação como instrumento de inclusão social, de aprendizagem, não de opressão e destruição.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Problemas técnicos

Oi gente...só passei por aqui para dizer que por conta de problemas técnicos (a placa mãe de meu notebook queimou) o blog ficará sem atualizações por tempo indeterminado.
Apesar de escrever muita coisa nesse período não tenho como publicar e, portanto, agradeço e peço a compreensão de todos.
Um grande abraço!

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