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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Em época de crise, grandes corporações barram acesso a cultura

The PirateBay Cartoon

Cartoon mostra os “fantasmas” que já rondaram a indústria do entretenimento

De tempos em tempos a indústria cultural procura uma nova ameaça para voltar suas armas. Dois casos recentes ocorridos em diferentes países não deixam dúvida: a nova vítima de sua perseguição é a internet.

Em tempos de crise econômica, quando o dinheiro do trabalhador passa a valer menos, e ele é obrigado a escolher entre “consumir” cultura (sim, a cultura hoje é um produto) ou comida para sobreviver, a internet é a única opção democrática para acesso a cultura e troca de arquivos gratuitamente.

No Brasil, em março, as atividades da comunidade do Orkut Discografias foram encerradas devido as ameaças que os moderadores da comunidade estavam sofrendo pela APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música).

A APCM representa grandes indústrias do entretenimento com lucros gigantescos como Globo, Sony, Warner, Universal, Fox, Disney, entre outras. Os moderadores postavam, gratuitamente e sem lucros, links para álbuns completos de artistas em sites de compartilhamento.

O caso mais emblemático, no entanto, vemda Suécia. É o PirateBay. Depois de derrotarem Napster, Kazaa, LimeWire, eDonkey…os empresários aprenderam como derrotar quem tenta democratizar o acesso cultura. Começa com ameaças, mas, quando a coisa chega aos tribunais geralmente celebra um acordo que põe fim a ameaça. Mas não dessa vez!

Os garotos do PirateBay, mesmo após serem condenados a um ano de prisão afirmaram que o site continuará no ar e que “vão emoldurar e pendurar na parede uma possível multa ao invés de pagá-la”.

Também recentemente houve a mudança na lei da meia-entrada para estudantes. Os estudantes que já tem que amargar um ensino péssimo, a falta de emprego, e todos os demais reflexos da crise econômica, agora não tem mais seu acesso a cultura garantido.

A preocupação dos grandes empresários do ramo da cultura é só uma: garantir que seus lucros permaneçam intocados. Suas mansões, iates, carros de luxo são muito mais importantes que o acesso da população, seu direito, a cultura. E nós? Nada faremos? Afinal se não tomarmos cuidado, em breve postagens como essa não existirão mais também...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Foto de confronto entre índios e polícia ganha prêmio World Press Photo

Luiz Vasconcelos / Reuters

Na divulgação dos premiados do World Press Photo, maior prêmio de fotojornalismo do mundo, o brasileiro Luiz Vasconcelos foi premiado na categoria Notícias Gerais com a foto acima.

Na foto, vemos uma índia com uma criança nua no colo tentando resistir sozinha à reintegração de terra cumprida pela Tropa de Choque da Polícia Militar do Amazonas em março de 2008.

Na área que era conhecida como "Lagoa Azul", viviam cerca de quatrocentos sem-teto, em sua maioria indígenas, que foram expulsos por se tratar de propriedade considerada particular, apesar de ser área de preservação ambiental.

World Press Cartoon

Em junho de 2006 um chargista da região, Bruno Galvão teve um trabalho publicado na World Press Cartoon. A charge denominada "Desarmamento" foi selecionada e publicada no catálogo do concurso.

Seu irmão, o também chargista Jean Galvão, também foi um dos trinta brasileiros selecionados naquele evento.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

José Saramago e a crise econômica


O escritor José Saramago, que veio ao Brasil divulgar seu novo livro "A Viagem do Elefante" concedeu entrevista no consulado de Portugal e falou sobre diversos assuntos: de Paulo Coelho a crise econômica.

Saramago, único ganhador do Nobel de literatura que escreve em língua portuguesa, afirmou não precisar ler Paulo Coelho (o escritor que vende mais livros no mundo), para ficar mais sereno. "Uma boa doença vale por toda a obra de Paulo Coelho", afirmou.

O português também criticou as comemorações direcionadas aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos. Segundo o escritor essa data não deve ser comemorada : "Não há direitos humanos", afirmou.

O escritor falou ainda sobre a crise econômica . "Os responsáveis por tudo isso que aconteceu não são ricos, são riquíssimos, são multimilionários. Eles, os empresários, estão a se servir de nós. Não há uma alternativa política, não há uma alternativa econômica. Eles nos fazem de bobos", disse Saramago.

Na semana em que vimos o governo americano intervir  com garantia de US$ 300 bilhões e entrega de US$ 25 bilhões para evitar a quebra do Citigroup, maior empresa  de serviços financeiros do mundo, a voz de Saramago soa como um guia, no meio da cegueira do mundo todo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira: estaríamos todos cegos?

Hoje tive a oportunidade de assistir ao filme "Ensaio sobre a cegueira", dirigido por Fernando Meirelles, baseado no livro homônimo do Nobel de literatura José Saramago, em sua curtíssima passagem pelo cinema aqui em São José dos Campos.

O filme não teve o sucesso esperado no exterior, principalmente nos Estados Unidos, em parte por conta da dureza da história apocalíptica e caótica, e em parte por ter sido rechaçado por associações de cegos que viram preconceito no filme (o que não ocorre, uma vez que a cegueira é usada como metáfora para criticar a sociedade atual).

Análise do filme "Ensaio sobre a cegueira" (2008)

ATENÇÃO - Esse post contém spoilers!

Tudo começa em um semáforo: A luz verde acende mas um carro fica parado estorvando o trânsito. É o momento em que o primeiro personagem do filme descobre estar contaminado com a "cegueira branca".

Em seguida outras pessoas que tiveram contato com ele começam a ficar infectados com a epidemia. Incluindo sua esposa, um ladrão que rouba seu carro, um médico (Mark Ruffalo) que o trata. Sem saber como conter a epidemia, o governo da cidade fictícia os manda para um antigo hospício, onde ficam encarcerados e cegos como forma de tentar conter a doença.

Somente uma pessoa não é afetada pela cegueira coletiva: a esposa do médico (Juliane Moore). Ela serve como alegoria das pessoas que, mesmo com toda o disfarce criado pelos governantes e grandes corporações, conseguem enxergar o que realmente acontece, a dinâmica que controla a sociedade.

Em meio ao caos do hospício, surge o personagem de Gael García Bernal, que se proclama rei da ala 3 e inicia um período de terror dentro do hospício. Cobrando jóias, dinheiro e até mesmo favores sexuais das mulheres para garantir comida a todos, sempre utilizando sua arma para garantir que todos sigam suas ordens.

O preconceito existente na sociedade, perdura mesmo com todos vivenciando aquele momento de crise. Isso fica explícito na cena em que um personagem afirma que o rei que os rouba é negro. Na verdade o negro é quem o está ajudando a atravessar toda a ala enquanto o "vilão" é branco.

A cena em que as mulheres são estupradas na ala 3 em troca de comida é revoltante...você realmente sente a dor das mulheres pelo clima sombrio e carregado na tela do cinema. O incômodo causado pela cena faz com que a pessoa se contorça na cadeira, tamanha a realidade expressa de forma subjetiva, mas marcante.

A brutalidade da cena do estupro contrasta com a sutileza da cena de amor entre o médico e a protituta (Alice Braga). Ao contrário da cena escura, carregada, apesar da cegueira de ambos a cena é clara e tranquila, mesmo quando a esposa do médico os flagra fazendo amor, entende a ligação de ambos e até revela seu segredo a prostituta.

Quando a mulher do médico assassina o rei da ala 3 e dirige a revolta que os liberta do hospício o que vemos é ainda mais deprimente: milhares, milhões de pessoas cegas lutando pela sobrevivência em uma cidade marcada pelo caos.

O papel solitário da mulher do médico nos abre uma série de questionamentos. Afinal ela fica responsável por todo um hospício cheio de cegos e é a única a enxergar, ou será que ela era a cega entre pessoas que enxergavam perfeitamente?

Nota: 9/10

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Controle Absoluto (Eagle Eye): Viva o Grande Irmão!

De tempos em tempos é lançada uma obra que fala sobre o futuro sombrio e um governo totalitário com o controle de máquinas superavançadas e inteligentes, ou de pessoas cruéis utilizando essas máquinas para atingir seus objetivos.

Nessa linha as grandes obras do gênero são os livros "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, lançado em 1931 e "1984" de George Orwell, lançado em 1949.

Em termos de cinema e TV, tivemos também diversos filmes, como "2001 - Uma Odisséia no Espaço", dirigido em 1968 por Stanley Kubrick, a série de filmes "Matrix" dirigidos entre 1999 e 2003 pelos irmãos Wachowski, "Inimigo do Estado", dirigido em 1998 por Tony Scott ou, mais recentemente, "Minority Report" (baseado no conto de Philip K. Dick), dirigido em 2002 por Steven Spielberg.

Hoje fui ao cinema assistir ao filme "Controle Absoluto" (Eagle Eye), dirigido por D.J.Caruso e produzido por Steven Spielberg. Os atores são Shia LaBeouf , que já participou como coadjuvante em "Transformers" e "Indiana Jones e a Caveira de Cristal" entre outros, e Michelle Monaghan, que já atuou em "Missão Impossível 3" e "Terra Fria", entre outros.

Sem mais, vamos à análise.



Análise do filme "Controle Absoluto" (Eagle Eye) - 2008

ATENÇÃO - Esse post contém spoilers!


Tudo começa com uma sala de controle onde militares decidem sobre lançar ou não uma bomba sobre um suposto terrorista em um enterro num país árabe. A bomba é lançada e em outra sequência somos apresentados ao protagonista, Jerry Shaw (Shia LaBeouf).


Após o enterro de seu irmão gêmeo ele recebe um depósito vultuoso em sua conta bancária, armamentos e materiais para preparação de explosivos e uma ligação misteriosa. A partir daí, o filme entra numa espiral vertiginosa de situações que nos parecem absurdas, mas ao mesmo tempo muito reais.


Ele e a, até então desconhecida dele, Rachel Holloman (Michelle Monaghan) começam a receber ligações em seus celulares em que uma voz feminina dá ordens absurdas e parece ver tudo o que eles fazem e tudo o que os cerca.


Somente mais tarde descobrem que a voz é de uma máquina, a Eagle Eye, conectada ao mundo todo através da internet e que, ao desenvolver uma inteligência artificial, põe em prática um plano para assassinar o presidente americano, que viola a constituição americana ao assassinar inocentes em um enterro (lembram-se do início?).


O filme tem bons efeitos especiais, explosões e muuuuita ação. Do início ao fim você se prende aos movimentos e reviravoltas da máquina e daqueles que tentam fugir de seu controle.
Inicialmente pensei que seria mais um filme de ação, baseado em tecnologias avançadas e na perda gradual de nossa individualidade e privacidade através das redes sociais, celulares, e-mails... No entanto o filme se mostra extremamente competente ao que se presta e você saí do cinema com a sensação de que valeu a pena perder um tempo para se divertir.


Enfim, se você não tiver nenhum outro compromisso a cumprir num fim de terça-feira, como eu, vale a pena assistir o filme e garantir duas horas de diversão, além de incluir mais algumas engenhocas no seu arsenal juntamente com os sabres de luz e colheres que não existem. E só.

Nota: 7,0 /10,0

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Guillermo del Toro e suas criaturas mitológicas

O diretor mexicano Guillermo del Toro, que dirige o filme "O Hobbit" em parceria com o neozelandês Peter Jackson, anunciou nessa sexta que escrverá uma trilogia sobre o universo dos vampiros em parceria com o romacista Chuck Hogan.

Del Toro é conhecido justamente por suas figuras mitológicas e pelo clima sombrio de seus filmes. Ele ganhou grande repercussão com o filme "O Labirinto do Fauno", lançado em 2006, porém, seu primeiro filme "Cronos" de 1992 já havia sido muito elogiado pela crítica. Ele dirigiu ainda os filmes "A Espinha do Diabo" de 2001, "Hellboy" de 2004 e sua sequência "Hellboy 2" lançado este ano, entre outros de menor repercussão.




Análise do Filme "El Laberinto del Fauno" (2006)

ATENÇÃO! - Este post contém spoilers!


Há muito não me emocionava tanto com um filme. Ele funciona tanto pela metáfora da inocência que todos nós perdemos ( ou a qual temos de nos agarrar para sobreviver), quanto pelo retrato da época e cenário em que o filme se passa , ao fim da Guerra Civil Espanhola em 1944.


É interessante notar que Ofélia se torna uma heroína e ícone da fantasia justamente pelo que tem de mais humana: a imperfeição, a curiosidade, os erros que comete para aprender e tentar encontrar o caminho da fantasia.


Em sua busca, seu caráter humano vai se moldando juntamente com a mente fantasiosa e é nisso que reside a força de Ofélia enquanto alegoria da humanidade.
Afinal, quantos de nós acreditam que é preciso abrir mão da vida humana (morrer) para alcançar a vida em palácios aconchegantes ao lado de um rei paternal e justo e uma rainha maternal e bondosa (céu)?


A atuação da menina Ofélia (interpretada por Ivana Baquero) é louvável justamente pela realidade que consegue passar da mente cheia de fantasia que uma criança de dez anos tem, mesmo em tempos de horror e guerra como o que vive a Espanha sob o domínio do ditador Franco.


O fauno (Doug Jones) simboliza o elo entre o pai no reino subterrâneo e a vida humana da qual a menina tenta constantemente fugir. E assim como acontece com as pessoas, "não se pode confiar em tudo aquilo que um fauno diz".


A empregada Mercedes tem uma influência fortíssima sobre a menina. Enquanto o Capitão Vidal (Sergi López) “pai” da menina mostra o pior lado que existe entre os homens( sendo até mesmo mais sombrio que os monstros), Mercedes (Maribel Verdú) faz o papel contrário (já que Carmen a mãe da menina é oprimida, não consegue lutar e acaba morrendo) de mostrar que existem também as pessoas boas, que lutam por uma vida melhor e mais justa (muitas vezes também de forma violenta), contra a tirania de homens como Vidal.


Mesmo assim ela tem uma vida dupla, como a de Ofélia: enquanto trabalha para o capitão Vidal durante o dia, auxilia seu irmão Pedro e os demais guerrilheiros revolucionários durante a noite levando comida, medicamentos e cartas ao esconderijo destes no bosque.


Por fim, o sacrifício de Ofélia ao defender o irmão recém nascido, entregando sua vida ao frio capitão Vidal para que seu irmão possa viver e “abrindo mão” do reino subterrâneo é digno de ser considerada uma das seqüências mais belas da história do cinema e dignas das histórias de conto de fadas de que Ofélia tanto gostava.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O Museu do Futebol e a cultura popular


Será inagurado no dia 29, com a exposição sobre Pelé "As marcas do rei", o Museu do Futebol. Localizado no estádio do Pacaembú em São Paulo, este é o primeiro museu dedicado apenas ao futebol em todo o continente americano.
Nessa primeira exposição serão exibidos diversos materiais de Pelé, como uma caixa de engraxate que usava para trabalhar ou o rádio em que seu pai acompanhou a transmissão final da Copa de 1950 em que o Uruguai venceu o Brasil em pleno Maracanã (o famoso "Maracanazo").
Os investimentos no museu foram de R$ 32 milhões financiados por empresas privadas, e governos estadual e municipal.
É louvável a atitude de unir um esporte tão popular com a cultura de que nosso país tanto carece. Porém, esse deveria ser um papel apenas do Estado, e não da iniciativa privada.
Como sabemos, nenhuma empresa financia uma construção desse tipo sem ter interesses escusos. Se hoje o ingresso é anunciado a R$ 6,00 (R$ 3,00 para idosos e estudantes), logo a iniciativa privada pressionará o governo para aumentar esse valor ou, o que é pior, cobrará a conta com a aprovação de projetos que sejam de seu interesse
Esperamos que a separação entre Estado e empresas seja clara e que o público, estimado em 600 mil, possa contar com cada vez mais obras desse porte, que unam cultura, esporte, lazer e sejam acessíveis para toda a população, não apenas para a elite como acontece hoje.
Para isso seria necessário criar Conselhos Populares de Cultura, onde a própria população decidiria onde e como seriam aplicados os recursos governamentais destinados à cultura. Somente dessa forma seria possível estimular a produção cultural e popular como a dos grupos de street dance, a dos grafiteiros, a de hip-hop e outras formas de cultura marginalizadas no atual modelo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Lula: da linha de montagem ao poder


Ontem foi relançado nos cinemas o documentário "Linha de montagem", de Renato Tapajós. O filme foi gravado entre 1979 e 1981 e lançado em 1982 e retrata as greves do ABC nesse período.
Após pararem totalmente a produção das fábricas do ABC em 1979, o Governo Militar tenta derrubar o movimento e fazer com que os trabalhadores retornem às linhas de montagem.
Em 1980 começa uma nova greve e, mais uma vez o governo segue a linha da repressão policial (algo não muito diferente de hoje), para barrar a greve. Muitos metalúrgicos são presos e processados.
Foi nesse movimento que nasceu a maior figura, a maior representação da classe metalúrgica e de sua força: o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luiz Inácio da Silva, que nesse momento ainda não havia incorporado seu apelido, Lula, ao seu nome.
Em 1980, seguindo a política criada pela corrente Convergência Socialista (atual PSTU), junto a intelectuais e sindicalistas, cria o Partido dos Trabalhadores (PT).
Em 1981, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo sofre intervenção do governo militar, comandado pelo general João Baptista Figueiredo e Lula é detido no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) paulista por vinte dias.
Em 1982 Lula já concorria a um cargo público pela primeira vez. Tentou chegar ao governo de São Paulo, mas perdeu. Em 1984 participou da campanha "Diretas Já" e o PT se absteve de participar das eleições indiretas, através de um Colégio Eleitoral, para a presidência.
Em 1986 Lula foi eleito Deputado Federal por São Paulo com a maior votação já registrada e ajudou na elaboração da Constituição Federal de 1988.
Concorreu à Presidência da República pela primeira vez em 1989, quando perdeu para Fernando Collor de Mello (PRN) perdeu e depois ajudou na campanha pelo impeachment de Collor em 1992.
Concorreu novamente à Presidência em 1994 e 1998, as duas vezes contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e perdeu as duas vezes.
Em 2002, Lula concorreu mais uma vez à Presidência da República contra o então Ministro da Saúde, José Serra (PSDB) e finalmente ganhou.
Houve uma grande euforia nacional, milhões foram às ruas comemorar o fato de que, pela primeira vez, um ex-sindicalista, um trabalhador, havia sido eleito para representar e defender o povo.
Então começou o governo de Lula...a Reforma Agrária, que seria feita em uma canetada, já não seria tão simples, os benefícios para os trabalhadores deveriam passar por análises...Então veio o escândalo do mensalão, dólares na cueca, danças da pizza e, mesmo assim, Lula foi reeleito.
Dessa vez não houve comemorações, não houve euforia, Lula havia trocado de lado...Aquele sindicalista lutador da linha de montagem não existia mais...Lula havia chegado ao poder.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Audiência de novelas cai: sinal de novos tempos?

O Ibope divulgou hoje os dados sobre a média de audiência das novelas globais nos últimos anos.

Pela primeira vez a toda poderosa Globo tem o que temer: os dados mostram uma queda acentuada do número de telespectadores.
Se compararmos a audiência, por exemplo da novela das 18h de 2000, "Esplendor" à novela atual no horário, "Ciranda de Pedra", a primeira teve uma média de 27,6 pontos e a segunda está na média de 21,6 pontos.
A novela das 19h de 2000, "Uga Uga", fazia 37,9 pontos. Já a novela "Três Irmãs", que estreou esta semana tem 33 pontos (isso porque é a primeira semana). E a novela das 20h de oito anos atrás, "Laços de Família", chegou aos 44,9 pontos. Hoje a novela "A Favorita" chega apenas aos 37,2 pontos de audiência.
Seria um sinal de novos tempos? Tempos em que as pessoas finalmente entenderam o quanto o "faz de conta" das novelas televisivas é prejudicial à vida das pessoas.
A novela teen "Malhação", por exemplo, a cada troca de elenco acha um novo alvo para lançar seus preconceitos e suas modas; a última foi a de um personagem que descobre que sua companheira está grávida, sofre um acidente, fica paraplégico e diz a garota para procurar outro para cuidar de seu filho, já que ele é cadeirante. Que preconceito retrógrado!
Enquanto vemos no Brasil um dos trinta casos registrados até hoje de mulher com Síndrome de Down ter um filho, um cadeirante não pode cuidar de um bebê? Não pode criar um filho?
E o que dizer das novelas de Manoel Carlos em que todos os personagens vivem no Leblon e tem dinheiro sobrando para fazer tudo aquilo que desejam.
É triste ver que dessa forma, as novelas criam ilusões e destroem as vidas das mulheres oprimidas, dos que se sentem incompetentes por não terem e não poderem garantir uma vida como essa para suas famílias.
Espero que esse seja um sinal de mudança. De um tempo onde possamos aprender a utilizar os meios de comunicação como instrumento de inclusão social, de aprendizagem, não de opressão e destruição.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amy Winehouse: fulgurante e fugaz

Conhecida tanto por seu talento na música como por seus problemas com as drogas e confusões, a cantora Amy Winehouse, 24 anos, foi internada mais uma vez em uma clínica de reabilitação.
A cantora foi para um clínica em Suffolk, próxima a prisão em que seu marido Blake Fieder-Civil cumpre pena.
Amy já se envolveu em confusões como agressões a fãs, internações para tentar se livrar do vício, e até um vídeo em que foi flagrada fumando crack. No entanto coleciona a mesma quantidade de shows, prêmios e milhões em sua conta bancária.
Na inauguração de sua estátua no museu de cera Madame Tussauds, seu pai Mitch Winehouse chegou a dizer que levaria a estátua e deixaria a filha, tudo por conta de sua personalidade autodestrutiva.
Mas o talento de Amy é indiscutível. Quando a vemos cantando nos lembramos automaticamente das estrelas dos anos 60, período em que o lema sexo, drogas e rock'n roll era seguido a risca por artistas talentosos e problemáticos como Amy: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin...
Devemos aproveitar e extrair de Amy tudo o que conseguirmos, enquanto ela puder cantar; assim como as estrelas cadentes, a cantora é fulgurante, mas fugaz.

Impressões do albúm "Back to Black" (2006)


1- Rehab - A abertura do albúm vem com esta música dançante e ao mesmo tempo triste, a cantora combina a batida soul com a letra em que nega estar mal, diz que não perderá tempo em internações e mostrará a todos como está bem;
2 - You know I'm no good - Nesta música afirma ter avisado não ser uma menina boazinha e retrata um relacionamento cheio de descaso e problemas. As batidas de bateria, o baixo e os instrumentos de sopro passam a idéia do sofrimento da letra;
3 - Me & Mr. Jones - O ar angelical de baile dos anos 60, inclusive com um coral de vozes femininas, traz uma letra carregada em que afirma: Ninguém fica entre mim e meu homem;
4 - Just friends - Amy canta sobre a necessidade de um relacionamento amigo e pergunta: Quando teremos tempo para sermos apenas amigos? A levada da música é descompromissada, leve, como o relacionamento com amizade;
5 - Back to black - Amy canta o desespero de perder o homem que ama para a ex-namorada, o luto que vive sozinha, morrendo uma centena de vezes. O ar carregado da letra é reafirmado pelo toque suave e estridentes dos instrumentos, seguidos pela batida firme e rápida da bateria;
6 - Love is a losing game - Nessa que é a melhor música do disco em minha opinião, Amy mostra como o amor é apenas um jogo e tudo o que isso envolve. A simplicidade e tristeza da situação é passada pela crueza dos instrumentos;
7 - Tears dry on their own - Essa é a música mais rápida e alegre do disco. Ela diz que suas lágrimas secam sozinhas e que deveria parar de se imaginar transando com caras estúpidos. A bateria e os acordes graves completam a letra;
8 - Wake up alone - Traz uma bela letra em que diz que acordará sozinha mas sonhará com seu homem e ele nadará em seus olhos (bela analogia). A música é ritmada dando sensação de solidão e o coro dá a idéia dos sonhos;
9 - Some unholy war - O baixo dá o tom da música, novamente as vozes de fundo passam a idéia de tragédia e inevitabilidade e a letra fala sobre lutar ao lado de seu homem em uma guerra pagã;
10 - He can only hold her - A música que fecha o albúm (na versão simples) é a mais leve e fala sobre o envolvimento entre os corpos enquanto seus sentimentos estão em outro lugar. A música confirma o tom leve através de instrumentos de sopro.

O albúm no geral é muito bom (Nota 9/10) e vale cada segundo dos parcos 31 minutos gastos para ouvi-lo. No final fica aquele gostinho: fulgurante e fulgaz!

domingo, 17 de agosto de 2008

Dorival Caymmi parte nos braços de Iemanjá


O cantor, compositor e pintor Dorival Caymmi morreu na manhã deste sábado de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em seu apartamento no bairro de Copacabana enquanto dormia, aos 94 anos.
Caymmi lutava há nove anos contra um câncer nos rins mas a família afirma que seu estado se saúde piorou quando a esposa Stella Maris, com quem é casado há 66 anos, foi internada há quatro meses e se agravou ainda mais há dez dias, quando Stella entrou em coma.
Teria Caymmi "morrido de amor" por falta da esposa e companheira Stella Maris? Seria um desfecho belo, justamente por ser simples e discreto, como é marca em suas músicas.
Sua obra é relativamente pequena (possui pouco mais de cem músicas), mas, cada uma delas foi concebida tal qual um diamante: calmamente ele extraia a pedra bruta e, com movimentos precisos, a lapidava deixando apenas o necessário.
Muitos já contaram histórias sobre as músicas que Dorival levava anos para terminar. Pois foi a mesma calma com que produziu suas obras, que o permitiu morrer calmamente enquanto dormia e sonhava pela última vez com Iemanjá a pegar suas mãos e levá-lo para o mar que amava e exaltava em suas canções, afinal: "É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar".

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