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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Santa Catarina: Em meio a tragédia, PMs tentam evitar "saques"

Situação em Santa Catarina lembra passagem do furacão Katrina por New Orleans


Em notícia divulgada nesta quinta-feira, a polícia militar de Itajaí (SC) afirma que vai restringir a circulação de pessoas pelo município durante a noite, ou seja, implantará o "toque de recolher", para evitar saques aos supermercados da cidade.

(Veja em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u472616.shtml)

Após mais de cem dias de chuva, em meio ao caos que a população vive no estado de Santa Catarina, é lamentável ver a postura do estado: após demonstrar total descaso com a população ao cortar todos os investimentos na área de infraestrutura e prevenção a esse tipo de tragédia, ainda age como repressor as pessoas que buscam comida para sobreviver ao desastre.

Vemos diariamente pelos noticiários que milhares de pessoas estão desabrigadas, perderam tudo o que tinham e dependem da solidariedade das pessoas de outras cidades ou estados. Muitas dessas pessoas nem sabem ao certo o destino de seus familiares.

Mesmo com a situação bárbara que a população vive, que lembra até mesmo a passagem do furacão Katrina por New Orleans, a polícia presta o papel de órgão repressor e defende a propriedade privada dos grandes empresários e não as necessidades básicas de alimentos e água da sofrida população. Seria essa mais uma face da crise mundial?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Extração de madeira destrói solo e deixa mil e quinhentas pessoas sem água em São José dos Campos


São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, a 138 km de São Paulo, é conhecido pela preservação ambiental, por suas lindas quedas d'água e pela tranqüilidade em que os cerca de três mil habitantes vivem. Tudo isso foi arrancado da população na última semana.

O empresário Walter Cerigatto Costa, proprietário da Fazenda Mandala, conduzia há cerca de dez anos um próspero negócio de extração de madeira, porém o empresário violou a Código Florestal e extraiu madeiras em áreas que não podia e em quantidade maior do que deveria. Isso gerou uma grande erosão que soterrou dez nascentes, inclusive a do Rio das Couves, responsável pelo abastecimento de água do distrito.

Os moradores ficaram sem água, nos dias 1º e 2 deste mês e até hoje, dia16, o abastecimento tem sido realizado através de caminhões-pipa que vão diariamente levar água para a população do local.

Em um distrito responsável por quase 30% da área de São José dos Campos, em que mais de 300 km2 são de Área de Preservação Ambiental por serem parte da Mata Atlântica original, um único empresário, dono de 660 hectares (cerca de 7 km2), conseguiu acabar com a água de toda a população, em um processo que parece ser irreversível.

As árvores que o empresário extraia são do tipo pinnus elliottis, comercializada em larga escala para extração de resina e utilização da própria madeira para confecção de móveis ou produção de celulose e papel, por exemplo. Durante muitos anos a extração dessa madeira foi impedida por leis e resistência popular. Dessa forma, a antiga proprietária do terreno perdeu o interesse em mantê-lo e o vendeu ao empresário. Foi aí que a história mudou.

Walter adquiriu a área porque “gostaria de proteger os recursos naturais” e “seu sonho era ajudar a preservar a natureza”, impediu o acesso da população à Cachoeira das Couves, principal fonte de água do distrito e causou esse desastre com a extração da madeira.

Em seguida o empresário iniciou um lobby entre os órgãos que deveriam proteger os recursos naturais até conseguir a liberação para extrair a madeira através do processo 069945/01 do DEPRN, Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais, órgão ligado a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Os pinus ficaram ali por muitos anos e hoje não existe a possibilidade de extraí-los sem comprometer os sub-bosques, os últimos resquícios da Mata Atlântica.

Os moradores se revoltaram e acabaram organizando manifestações em repúdio a expansão da exploração desenfreada capitalista no distrito, personificada em Walter. Apesar dos processos legais que incluem denúncias da relação promíscua entre este e membros dos órgãos responsáveis pela licença para extrair a madeira, a população segue mobilizada para tentar barrar essa e outras tentativas de lucrar com a natureza de São Francisco Xavier.

O empresário deve ser punido e o terreno tem que ser desapropriado e incluído na Área de Proteção Ambiental, através da transformação em Unidade de Conservação de Proteção Integral. Isso porque o terreno não cumpre nem a função social da propriedade expressada na Constituição Federal e, considerando os diversos e importantes recursos naturais da área, essa seria a única saída.

Fica cada vez mais claro que somente com o fim do capitalismo a natureza poderá servir para garantir a vida do homem e não para satisfazer seus caprichos, deixará de ser uma mercadoria para ser vista como algo vital para nossa existência na Terra. Não existe maneira de proteger a natureza dentro da lógica capitalista.

Por isso devemos levar nossa luta até o fim. Lutar pela socialização dos meios de produção, pelo fim da exploração do homem pelo homem, pelo fim da opressão às mulheres, negros, homossexuais, pela preservação da natureza, lutar pelo socialismo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia Mundial Sem Carro: uma gota d'água para apagar um incêndio


Hoje é o Dia Mundial Sem Carro, nesse dia as pessoas deveriam deixar seus veículos em casa, abrir mão dos ônibus, calçar seus tênis e caminhar para chegar ao trabalho, resolver suas pendências e voltar para casa.
Este dia foi criado em 1996 pelos franceses em protesto à poluição ambiental e vem sendo incoporado por cidades do mundo todo.
O fato é que, exceto por garantir um pouco de atividade física para as pessoas que deixarem seus carros em casa, não haverá nenhuma mudança no mundo por causa desse dia.
Não pode haver mudança no mundo porque deixamos nossos carros em casa por um dia, enquanto as empresas do mundo todo funcionam vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana para garantir uma grande produção e, dessa forma, um grande lucro para seus patrões.
O maior exemplo disso é o Tratado de Kyoto: apesar dos cientistas apontarem que, para parar de causar impacto (parar, não retroceder) na terra seria necessário reduzir em mais de 50% as emissões de CO2, o Tratado de Kyoto fala em reduzir 5%. E muitos países não querem assiná-lo!
Por isso os cientistas tem acordo quando dizem que não há como voltar atrás, eliminar o estrago que já foi feito. Após o advento da Revolução Industrial, nos últimos cem anos, houve um aumento de 0,7° C. Até 2100 esse número deve aumentar mais 2,5 °C.
Por isso não adianta deixar o carro em casa por um dia para tentar barrar a degradação ambiental enquanto as indústrias continuam lançado no ar mais CO2 do que nunca. Isso seria como tentar apagar um incêndio utilizando uma única gota d'água

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